Segurança: tecnologia une Haddad e TarcÃsio, mas investigação e monitoramento dividem candidatos ao governo de SP
- 02/09/2026

TarcÃsio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) em agendas de campanhas ao governo de SP em 2026. Caiuá Maia e Diogo Zacarias A segurança pública aparece como uma das prioridades nos planos de governo de Fernando Haddad (PT) e TarcÃsio de Freitas (Republicanos), candidatos ao governo de São Paulo que lideram as pesquisas eleitorais. Apesar da rivalidade polÃtica, os programas têm mais pontos em comum do que divergências. Ambos defendem ampliar o uso de tecnologia e inteligência artificial, integrar bases de dados, combater o crime organizado, fortalecer polÃticas de proteção à s mulheres e valorizar a carreira policial. As diferenças aparecem principalmente no enfoque das estratégias de cada candidato. Haddad aposta em investigação, controle da atividade policial e transparência de indicadores. Já TarcÃsio prioriza monitoramento tecnológico, policiamento ostensivo baseado em dados e ampliação das estruturas já implantadas em seu governo. Veja abaixo as propostas dos candidatos analisadas pelo g1 a partir dos planos de governo: Agora no g1 Combate ao crime organizado Para combater o crime organizado, Haddad propõe a criação da Agência Estadual Antifacção: uma estrutura de investigação e inteligência sob liderança do governador, reunindo PolÃcia Civil, PolÃcia Militar, Receita Estadual, Ministério Público e órgãos de controle. O órgão também atuaria em convênio com a Receita Federal, a PolÃcia Federal, o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo o plano, o objetivo é desarticular financeiramente as organizações, impedir sua infiltração na economia formal e dar destinação social aos bens confiscados. Outra proposta do candidato do PT é a criação de uma força-tarefa permanente para o Porto de Santos, reunindo órgãos estaduais e federais para combater o tráfico internacional de drogas e organizações criminosas que utilizam o terminal como rota de exportação. O porto é apontado pelo Ministério Público como a principal porta de saÃda da cocaÃna produzida no Brasil para a Europa. O governador de São Paulo, que disputa reeleição, também defende o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas, mas aposta na ampliação de mecanismos de investigação já existentes em sua gestão. O plano prevê intensificar investigações patrimoniais, análises financeiras e o compartilhamento de informações entre órgãos estaduais, federais e internacionais para identificar lideranças, combater a lavagem de dinheiro e recuperar ativos do crime organizado. Outra medida apresentada por TarcÃsio é articular os estados do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) para apresentar ao governo federal medidas de endurecimento da legislação contra organizações criminosas. LEIA TAMBÉM: Qual é o perfil dos candidatos de São Paulo nas eleições de 2026? Quem é o paulista que vai à s urnas em outubro? Veja como a população mudou desde a redemocratização TarcÃsio de Freitas e Fernando Haddad durante debate para governador de SP na Globo em 2022 Fábio Tito/g1 Violência contra mulher É no combate à violência contra mulher que os planos de governo apresentam maiores convergências. Haddad defende o funcionamento 24 horas das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) nas regiões de maior demanda, enquanto TarcÃsio promete ampliar em mais de três vezes o número de unidades com funcionamento ininterrupto no estado. O ex-ministro da Fazenda também propõe a criação do Protege SP Mulher, Criança e Idoso, com foco no combate a violência doméstica. A residência é o local mais inseguro para as mulheres e concentra, em média, seis a cada dez feminicÃdios em São Paulo, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública. Para as mulheres, a plataforma vai reunir informações sobre sinais de risco e acompanhar as vÃtimas monitoradas. O plano prevê ainda proteção da PolÃcia Militar para vÃtimas com medida protetiva e integração com mecanismos de monitoramento de agressores por tornozeleira eletrônica. Já TarcÃsio aposta na expansão de iniciativas criadas durante sua gestão. Entre elas estão o aplicativo SP Mulher Segura, voltado ao registro de ocorrências, solicitação de medidas protetivas e acionamento de emergência, e a Patrulha SP Mulher Segura, ronda especializada da PolÃcia Militar para acompanhamento de casos de violência doméstica e monitoramento de agressores. Tecnologia e monitoramento Outra semelhança entre os planos é a aposta em tecnologia, inteligência artificial e integração de bases de dados para combater o crime. A principal diferença está no foco: Haddad prioriza o uso dessas ferramentas para investigação e esclarecimento de crimes, enquanto TarcÃsio defende a ampliação das estruturas de monitoramento e resposta em tempo real já implantadas em sua gestão. O candidato do PT propõe cruzar informações de ocorrências policiais, chamadas do 190, câmeras de vigilância e leitores automáticos de placas para orientar o policiamento e fortalecer as investigações. Segundo o plano, também está prevista a criação de uma Base Estadual Integrada de Dados Criminais e de um "Placar da Segurança", com divulgação a população dos Ãndices de esclarecimento de roubos, furtos, homicÃdios e feminicÃdios. Já TarcÃsio aposta na ampliação de estruturas já existentes. O principal projeto é o SP CIN (Centro de Inteligência e Inovação), que substituiria o atual Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), criado na gestão Alckmim em 2014. O órgão concentra em uma única estrutura o monitoramento e a resposta em tempo real das forças de segurança e demais órgãos estaduais. O plano também prevê a expansão da Muralha Paulista, programa que integra câmeras, sensores, leitores automáticos de placas e sistemas de monitoramento dos municÃpios. A meta é alcançar mais de 160 mil equipamentos conectados ao SP CIN nos dois primeiros anos de governo. Atuação policial Policial usando câmera corporal. CLDF/reprodução Uma das principais diferenças entre os candidatos está no uso das câmeras corporais da PolÃcia Militar, tema que marcou o debate sobre segurança pública durante a gestão TarcÃsio. 🔎 Após acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2025, as câmeras passaram a operar sem gravação contÃnua. Atualmente, os equipamentos podem ser acionados pelo policial ou remotamente pelo Centro de Operações da PolÃcia Militar (Copom). No plano de governo, Haddad promete retomar a gravação ininterrupta durante todo o serviço nas ruas, sem depender do acionamento do agente. Já TarcÃsio defende a manutenção do modelo atual. Os dois candidatos também apresentam propostas de valorização dos profissionais da segurança pública, com medidas como estruturação de carreiras, promoções e valorização salarial. Haddad propõe ainda um programa permanente de saúde fÃsica e mental para policiais e bombeiros, além do fortalecimento das corregedorias e da Ouvidoria da PolÃcia, com mais autonomia e recursos próprios. TarcÃsio, por sua vez, aposta na ampliação do efetivo policial e na gestão por resultados. O plano prevê a definição de metas e indicadores de desempenho para acompanhar a resolução de inquéritos e o monitoramento dos prazos de investigação. Sistema prisional Os dois candidatos defendem ampliar o trabalho de pessoas privadas de liberdade e reforçar o combate à atuação de facções dentro dos presÃdios. As diferenças aparecem principalmente na ênfase dada à ressocialização dos detentos. Haddad propõe separar presos por perfil criminológico e fortalecer a inteligência penitenciária para impedir que organizações criminosas continuem atuando de dentro das unidades prisionais. O petista também pretende expandir o trabalho prisional por meio das chamadas Unidades Prisionais Produtivas, em parceria com empresas privadas, e criar um protocolo de soltura com encaminhamento para assistência social, saúde e trabalho nos primeiros 12 meses após o cumprimento da pena. TarcÃsio, por sua vez, aposta na ampliação de oficinas de trabalho e programas de qualificação profissional dentro dos presÃdios, em parceria com empresas públicas e privadas. O governador também pretende integrar o sistema penitenciário ao SP CIN para monitorar e bloquear comunicações ilÃcitas e ampliar o uso da mão de obra de presos em ações municipais, como serviços de zeladoria urbana e recuperação de áreas atingidas por enchentes e outros desastres.
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