Pré-candidatos miram eleitoras e reforçam falas sobre mulheres em meio a polêmicas na pré-campanha

  • 03/07/2026

Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Caiado e Zema Divulgação e reprodução Os pré-candidatos à Presidência da República em 2026 intensificaram, nos últimos dias, discursos voltados às mulheres em entrevistas, eventos e publicações nas redes sociais. O movimento reflete a disputa pelo eleitorado feminino, maioria no país, e ocorre em meio às polêmicas envolvendo Michelle Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL). 🔍 Segundo dados do Painel de Estatísticas Eleitorais do TSE de março de 2026, as mulheres são 52,85% do eleitorado brasileiro, com 82 milhões de eleitoras. Os homens são 73,8 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O assunto ganhou força depois de uma crise entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A ex-primeira-dama divulgou vídeo em que relata ter sido desrespeitada pelo enteado em discussões políticas do PL. "Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele", afirmou a ex-primeira-dama. Michelle publicou em suas redes sociais Reprodução Flávio se desculpou e afirmou: "Nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai". Dias depois, o senador fez uma live em defesa da pauta das mulheres e afirmou que o tema não deveria ser tratado como uma questão ideológica. Na quarta-feira (1º), divulgou uma nota e discursou em evento do PL Mulher repudiando as declarações de um aliado, o youtuber Paulo Figueiredo, sobre mulheres. A manifestação ocorreu após Paulo Figueiredo dizer que "mulher vota muito mal" e atacar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. As declarações tiveram repercussão negativa no entorno de Flávio, que busca ampliar o apoio entre o eleitorado feminino nas pesquisas de intenção de voto. Veja as declarações e polêmicas dos pré-candidatos sobre o tema: Flávio Bolsonaro Montagem com trechos de vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro em evento do PL Mulher na quarta-feira (1º). Reprodução/Instagram/Flávio Bolsonaro Cinco dias depois da publicação de Michelle, Flávio disse que a defesa das mulheres deve ser tratada como pauta econômica, não ideológica. “As mulheres que sustentam mais de 70% dos lares brasileiros, que sofrem com a violência. Não adianta a gente negar isso, gente, porque essa pauta de mulher não é uma pauta de ideologia, é uma pauta de economia”, disse em entrevista ao podcast Estadão/Broadcast. No Senado desde 2019, Flávio passou a apresentar propostas voltadas especificamente às mulheres em 2025 e 2026. Em 2025, apoiou uma PEC sobre o direito das mulheres a uma vida livre de violência. Já em 2026, apresentou dois projetos: um para criar unidades de pronto atendimento à mulher no SUS e outro para permitir que autoridades policiais concedam medidas protetivas imediatas em casos de violência doméstica. Na pré-campanha, Flávio passou a apresentar um conjunto mais amplo de propostas para mulheres. Em entrevistas, diz defender prisão imediata e penas mais duras para agressores, castração química para estupradores, concessão de medidas protetivas por delegados no momento da denúncia, microcrédito e empreendedorismo feminino, creches e políticas para mães solo. "Nós vamos aprovar castração química para estuprador. A gente vai defender as mulheres como tem que ser defendidas. Com força", afirmou durante evento de lançamento de pré-candidaturas no Pará, em junho. Lula Lula ao lado da governadora Fátima Bezerra durante evento no Rio Grande do Norte. Ricardo Stuckert/PR Nesta quinta-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o aumento da pena para o crime de feminicídio. Em discurso ao lado da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), Lula afirmou que é preciso endurecer a punição para agressores e disse que "todo homem precisa saber que só existimos porque nascemos de uma mulher". "Nós estamos fazendo o Pacto contra o Feminicídio. E vamos endurecer. O cidadão que bater na mulher vai ter que ser punido, vai ter que utilizar tornozeleira e, se a mulher quiser, não vai nem encostar mais nela. E aumentar a pena para quem mata mulher. Não é possível o cidadão trancar a mulher e o filho em casa e tocar fogo, o cidadão dar 66 socos na cara da mulher", afirmou o presidente, dizendo que a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, está à frente da pauta. Neste terceiro mandato, Lula sancionou a lei de igualdade salarial entre homens e mulheres e iniciou o governo com número recorde de 11 ministras. Após as trocas ministeriais de abril de 2026, mulheres passaram a ocupar 8 pastas. Ao longo da gestão, Lula foi cobrado por entidades de mulheres negras e juristas por não indicar uma mulher negra ao Supremo Tribunal Federal. No atual mandato, os três nomes escolhidos para vagas no Supremo foram homens: Cristiano Zanin, Flávio Dino e Jorge Messias, este último rejeitado pelo Senado, e que será indicado novamente. Para um eventual novo mandato a partir de 2027, Lula tem defendido ampliar a presença de mulheres na política e citou como exemplo o apoio a candidaturas de mulheres negras e jovens. “Eu vou vir aqui fazer um comiciozinho com a Dandara, eu vou encontrar um jeito de vir a Uberlândia, fazer uma atividade. Porque para mim, uma mulher, ainda jovem e negra, disputando o espaço que sempre foi de homens brancos, e muitas vezes bem sucedido, é um motivo de orgulho para mim e para 213 milhões de brasileiros”, disse em entrevista à Rádio Vitoriosa, em Uberlândia (MG). Renan Santos Renan Santos em publicação no Instagram. Reprodução/Instagram Na quarta-feira (1º), Renan Santos, pré-candidato do Missão, publicou um vídeo em que citou a jornalista Malu Gaspar como exemplo de mulher “inspiradora”, após reportagem de 'O Globo' revelar que Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, e o publicitário Thiago Miranda mandaram vasculhar a vida da jornalista e discutiram formas de tentar “calar” a colunista. No vídeo, Renan disse que Malu foi alvo de tentativas de devassa por causa das reportagens e afirmou que ela deveria servir de exemplo. “Pessoas como Malu Gaspar tornam o nosso país um pouquinho melhor pra ser vivido. E deveriam inspirar muitas e muitas moças a seguir diversas carreiras no Brasil, sendo pessoas corretas e honestas.” Em anos anteriores, Renan havia sido criticado por falas envolvendo mulheres. Em 2021, viralizou nas redes sociais um vídeo antigo, de 2018, em que ele aparece comandando um coro e dizendo uma amiga poderia ser estuprada. A então ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, pediu uma investigação sobre o caso. No ano seguinte, em 2022, durante uma live do MBL News após a divulgação dos áudios com falas sexistas de Arthur do Val sobre mulheres ucranianas, Renan saiu em defesa do então deputado estadual diante da possibilidade de cassação. "Foi uma declaração merda, mas isso não é roubar. E ele tá sendo cassado! Acorda! A gente precisa começar a agir já!", afirmou. Neste ano, a Justiça de São Paulo negou, em primeira e segunda instâncias, pedidos de Renan para plataformas removerem publicações que citam um boletim de ocorrência registrado em 2021, no qual uma mulher o acusa de estupro e violência doméstica. A defesa afirma que Renan foi absolvido em decisão transitada em julgado após a denunciante confessar ter feito uma falsa acusação e diz que ainda não há decisão definitiva sobre a retirada das publicações. Na pré-campanha, Renan defende aumento de penas para crimes violentos contra mulheres, punição mais dura para pais que não pagam pensão e manutenção do Bolsa Família para mães solo em situação de vulnerabilidade. “Quer ajudar as mulheres a não serem alvo de violência? Vamos aumentar as penas para qualquer crime violento contra a mulher. O marido bateu na mulher? Vamos aumentar a pena porque a pena não está alta”, disse em entrevista à CNN. Romeu Zema Zema em postagem nas redes sociais em 1º de julho. Reprodução/Instagram/Romeu Zema Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, também publicou, no dia 1º, um vídeo em que associou a maior participação das mulheres na política ao combate à corrupção. “À medida que as mulheres avançarem na política, a política melhora naturalmente. Porque está provado, as mulheres são mais honestas do que os homens. Nós temos aí um escândalo do Banco Master, eu só vi homem envolvido lá, não vi nenhuma mulher. Se olhar nesses outros escândalos que o Brasil já teve, é a mesma coisa. À medida que as mulheres tomarem espaço na política, a corrupção vai cair.” Na gravação, três mulheres aparecem ao lado de Zema, mas nenhuma delas fala. Na sequência, o governador associou a atuação política feminina a uma característica biológica. “A mulher, por natureza, por uma questão biológica, ela pensa no futuro. Porque quando ela engravida, ela vai ter um projeto ali de, no mínimo, 15 anos. E homem não tem essa visão.” Zema já disse que gostaria de ter uma mulher como vice e prometeu endurecer penas para agressores. Também defende regras diferentes no Bolsa Família: manter ou ampliar benefícios para mulheres com filhos e exigir qualificação ou trabalho de homens jovens beneficiários. “Ó, para mulheres com filhos, eu não mudaria nada, até melhoraria, até aumentaria. Agora para Marmanjão que fica em casa jogando videogame, esse vai ter de fazer um curso de qualificação, vai ter de ser voluntário na prefeitura e vai ter de aceitar um emprego formal quando tiver. Caso contrário, ele vai deixar de receber", em entrevista à Rádio Gaúcha. Em post publicado na quinta-feira (2), Zema se posicionou contra o PL da Misoginia. A proposta altera a Lei Antirracismo para incluir os chamados atos de misoginia, definidos como “a prática, a indução ou a incitação de menosprezo ou discriminação contra a mulher, que promova violência, negue sua igualdade de direitos ou ofenda sua dignidade, em razão da condição de mulher”. No governo de Minas, Zema lançou o programa MG Mulher, com aplicativo de suporte a vítimas de violência doméstica, monitoramento de agressores e núcleo integrado de acompanhamento. A Polícia Civil de Minas também informou que o estado tem 70 Delegacias de Atendimento à Mulher em funcionamento. Ronaldo Caiado Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência da República pelo PSD, durante passagem pela Agrishow em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, tem usado a área de segurança para falar sobre mulheres. “Qual é a maior demanda das pesquisas que são feitas pelo cidadão? Segurança pública. E lá em Goiás tinha aquela tese de que em briga de marido e mulher, não se mete a colher. Eu meto algema”, afirmou em entrevista ao NeoFeed, em 18 de junho. Na mesma entrevista, citou o uso de tornozeleiras eletrônicas em agressores: “Eu fui o primeiro a botar tornozeleira.” Em falas anteriores, Caiado já se posicionou contra cotas obrigatórias para ampliar a presença de mulheres na política. No Roda Viva, em 2025, defendeu que o sistema político produza representatividade por competência, não por obrigação. “Então isto aí é uma reforma que não é na obrigatoriedade, mas é na competência de você poder ter algo que seja, tá certo?”. No governo de Goiás, sancionou em 2024 uma lei que instituiu a Campanha de Conscientização contra o Aborto e prevê que o estado ofereça exame de ultrassom com batimentos cardíacos do feto a mulheres que procuram aborto legal, permitido no Brasil em casos de estupro, risco de vida para a gestante e anencefalia. A medida foi questionada pelo PSOL no STF. Na pré-campanha, Caiado diz que pretende levar ao país medidas que afirma ter adotado em Goiás, como a saída do agressor da delegacia já monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele também cita auxílio financeiro a mulheres vítimas de violência doméstica. “A mulher que é agredida, ela tem a garantia de ter. Se não tiver a casa pronta, eu pago o aluguel da casa. O estado de Goiás paga o aluguel da casa, da alimentação dela e da criação dos filhos dela.”

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/03/pre-candidatos-miram-eleitoras-e-reforcam-falas-sobre-mulheres-em-meio-a-polemicas-na-pre-campanha.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Anderson Freire

Raridade

top2
2. Bruna Karla

Advogado Fiel

top3
3. Aline Barros

Casa do pai

top4
4. Anderson Freire

Acalma o meu coração

top5
5. Aline Barros

Ressuscita-me

Anunciantes